domingo, 7 de novembro de 2010

Tristezazinha

Tenho uma portinha dentro de mim
Pequenina, quase imperceptível
Que nunca foi aberta

Alguém jogou a chave fora
Desfez-se dela
E fez bem

Lá mora uma tristezazinha miúda
que, sentada, chora de noite e de dia
Não tem nada, nem ninguém
Não há quem se lembre dela

Ficou lá, esquecida do mundo
Correu, e encurvada, socou o corpo pequenino
no canto da parede úmida

E já que vive trancada
Não aparece
Mas vez ou outra lança seu olhar amargo
pela fechadura
E sua dor se espalha em mim
Como perfume acre

Um comentário:

  1. Tristezazinha sentada em pequenos cantos escuros.
    Bem umidos, cheirando ao ralo das suas lágrimas.
    Era pequena, quase imperceptível.

    A sua frente apenas uma portinha sem chave.
    Jogara fora a tanto tempo, sem nunca ser aberta.
    Sera que fez bem?

    Ficou lá, a tanto tempo perdida
    Agarrara o proprio corpo tentando se dar
    o calor de um abraço ou talvez fosse amor
    o que queria?

    E como vive trancada e sozinha
    Não aparece
    Mas por não conhecer nada alem de dor
    Só pode vez ou outra despejar amargura
    por seus olhos.
    E a dor se espelha entra pelas narinas e agita o coração.

    Enfim, eis o que sentir ao te ler. Obrigado.

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